
"O antigo nômade ainda vive dentro de nós, não morre nunca, e, quando a gente menos espera, a sua inquietude neurótica desperta do sono para nos obrigar a sair por aí. A viagem representa sempre ansiedade e curiosidade. Mas o nômade, de acordo com todos os testemunhos, conserva um segredo de felicidade que o cidadão perdeu, e a este segredo sacrifica a comodidade e a segurança. O cigano sente-se em casa em qualquer lugar. O cidadão errante (viajante, turista), onde quer que vá, sente-se um estrangeiro. Múltiplos são os êxitos, os álibis e as sensações da viagem, mas um só é o profundo e verdadeiro motivo interior que a determina: perseguir o segredo daquela remota felicidade. O nomadismo baniu a sedentariedade". Domenico de Masi
Incrível o poder que as coisas tem quando tem que acontecer. Mais incrível ainda quando tudo que vivi e experimentei parece fazer sentido, tudo me fez e me faz ser quem sou hoje, me colocou onde estou hoje. Como o universo é sábio!
Estou diante de uma grande mudança. O problema da mudança não é mudar, mas as consequências que se desenrolam. Vivia na famosa “zona de conforto”. De certa forma é bom saber como as coisas são, o que esperar delas, especialmente quando já se domina a rotina.
Há alguns meses atrás a novidade deu as caras e resolveu me perguntar: “e aí, vai me encarar?” Eu nunca fui lá muito covarde, pelo contrário, sempre gostei de desafios e apostei no desconhecido, pelo menos nesse setor. E fica mais fácil arriscar quando não se tem nada a perder e, definitivamente, eu não tinha.
Poderia simplesmente declinar a oferta de viver algo novo e seguir no conforto da tão conhecida rotina. Não, não seria uma escolha ruim, embora eu sentisse que estava chegando o fim de um ciclo e inevitavelmente a novidade me encontraria logo mais. Então eu poderia apenas adiar o inevitável ou exatamente assumir conscientemente os acontecimentos, os riscos.
Tudo é uma questão de escolha. E como já aprendi que toda escolha implica em perdas. Depois de algumas ponderações veio a decisão pela mudança de trabalho, de continente, de vida!
Cá estou, além mar.“This time of Africa” ganha um sabor todo especial ao descobrir a cada dia não o que falta, mas o que TEM a oferecer o Continente Berço da Humanidade ao meu ser pessoal e profissional. E ainda me faz ter a pretensão de alguma forma poder contribuir com esse povo tão peculiar e encantador.
Desde que me lancei nessa mudança tenho vivido e ouvido coisas nunca antes imaginadas por mim. Será que a distância me tornou mais sensível? Ou será que daqui me permito a sensibilidade, a expressão das percepções? Tantas questões! O fato é que a minha mudança não mexe somente comigo, mas desperta nas pessoas as mais diferentes reações, expressões... das mais mesquinhas as mais nobres! E viva a beleza e a loucura de SER... HUMANO!
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